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Afonso Moraes com o Royal Soleil Fonte: Arquivo pessoal
  • Afonso Moraes ao comando do Nimbus Fonte: Arquivo pessoal
  • Veleiro Nimbus Fonte: Arquivo pessoal
  • Royal Soleil Fonte: Arquivo pessoal
  • Victory Fonte: Arquivo pessoal
  • Endurence Fonte: Arquivo pessoal
  • San Francisco Fonte: Arquivo pessoal
  • Independence Fonte: Arquivo pessoal
  • HMS Endeavour Fonte: Arquivo pessoal
  • Pesqueiro Mare Nostrum Fonte: Arquivo pessoal
  • Pesqueiro Marie Jean Fonte: Arquivo pessoal

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Afonso Moraes - No barco, sempre

23/01/2013 -

Por Rita Moraes

Impedido de comandar seu veleiro por problemas de saúde, o engenheiro de telecomunicações e velejador paulistano Afonso Celso Pacheco de Moraes, 55 anos, resolveu se dedicar a um hobby antigo: a reprodução em miniatura de veleiros famosos. A empreitada juntou duas paixões: os veleiros e a história de grandes navegadores. “Hoje, tenho uma coleção de cerca de 12 veleiros, dentre eles, o Victory, do renomado herói inglês Almirante Nelson (1758-1805); o Endeavour, de James Cook (1728-1779), explorador, navegador e cartógrafo, "descobridor” da Austrália e da Nova Zelândia; o Soleil Royal, feito pelos franceses para derrotar o Victory; e o Independence, um dos primeiros navios de guerra da América do Norte livre”, enumera, orgulhoso. A dedicação foi tanta que o hobby acabou virando negócio. “As pessoas adoravam os veleiros e se interessavam, queriam comprar. E, com a aposentadoria, essa passou a ser minha atividade principal: sou modelista naval. Faço parte de um grupo com mais de 200 participantes de várias partes do mundo”, conta. Falante e entusiasmado, Afonso contou para o Estrela Náutica como foi seduzido pelo mar, pelas velas e pelas miniaturas. Leia abaixo:



Estrela Náutica - Em que momento as miniaturas entraram em sua história?

Afonso Moraes - Depois de várias cirurgias da coluna, vi que meu tempo de vela estava acabando e me voltei para as miniaturas. Na verdade, um hobby antigo, iniciado nos anos 1970 e incrementado depois pelo fascínio pelos grandes exploradores. Fui professor universitário de 1983 a 1990 e, nessa época, me "caiu" nas mãos um livro sobre o explorador anglo-irlandês Ernest Shackleton (1
874-1922), grande figura do período conhecido como A Idade Heróica da Exploração da Antártida, final do século XIX até início da década de 1920, quando a Antártida tornou-se o objetivo das explorações geográficas e científicas internacionais. A partir daí, fui aprofundando os estudos sobre o assunto.

Estrela Náutica - Como você faz as miniaturas?

Moraes - Uso kits da empresa Artesania Latina, feitos de madeira e com peças em cobre. Verdadeiras maravilhas. Tenho uma coleção de 12 veleiros, dentre eles, o Victory (do renomado herói inglês Almirante Nelson (1758-1805)); Endeavour (de James Cook (1728-1779), explorador, navegador e cartógrafo, "descobridor” da Austrália e da Nova Zelândia); Soleil Royal (feito pelos franceses para derrotar o Victory); e o Independence (um dos primeiro navios de guerra da América do Norte livre). Faço parte de um grupo com mais de 200 participantes de várias partes do mundo — Turquia, Itália, Espanha, Portugal, Argentina, Holanda, Polônia, entre outros países —, que usa a internet para trocar experiências, técnicas, plantas de veleiros e outros tipos de navio. Essa troca é muito importante, pois ajuda a baratear a produção dos veleiros.

Estrela Náutica - É um hobby muito caro?

Moraes - Os kits, na maioria, são importados e custam muito caro. Um kit do Victory, por exemplo, custa cerca de US$ 700. Aqui, não sai por menos de US$ 2,5 mil. Pensando nisso, estou desenvolvendo uma técnica que utiliza canoas feitas por artesãos de Ubatuba (SP). Consigo dar forma de veleiros antigos a elas, usando plantas divulgadas neste grupo.

Estrela Náutica - Quantas réplicas foram vendidas?

Moraes - Até hoje, foram vendidos dez veleiros e estou com dois em produção. O tempo de entrega está por volta de dois meses entre o pedido e a finalização do projeto.

Estrela Náutica - Como nasceu sua paixão pelo mar e pela navegação?

Moraes - Eu nasci em São Paulo, mas meu pai era militar e devido ao seu trabalho fui para o Rio de Janeiro com seis anos. Morei na Praia Vermelha, tendo o Pão de Açúcar como meu quintal visual.

Estrela Náutica - Mas como foi sua iniciação?

Moraes - Meu primeiro envolvimento com o mar foi através da pesca submarina. Comecei com 10 anos a pegar siri e
depois, na adolescência, ganhei um arbalete Cobra (arma de disparo de arpões utilizada por mergulhadores) e comecei a pescar peixes quase todo fim de semana. Naquela época, década de 70, o mar não era poluído e a gente pescava peixes grandes (robalo, garoupa, por exemplo) numa profundidade de no máximo quatro metros.

Estrela Náutica - Você começou então como mergulhador, assim tão novo?

Moraes - Mergulhava sem cilindro. Mas a poluição foi chegando e os peixes se afastando, o que dificultou a prática do mergulho sem auxilio de cilindro de ar e embarcação de apoio. Eu sempre gostei de esportes e acabei aderindo ao windsurfe.

Estrela Náutica -
Quando foi isso?

Moraes - Foi em 1980, comprei um windsurfe assim que saíram os primeiros, eram chamados de windglider. Minha paixão pelo mar adquiriu outro sentido. Eu me sentia fazendo parte dele, foi uma época de muitas descobertas. Aprendi a lidar
com ventos, marés, correntezas; aprendi a colocar em prática o cálculo vetorial, pois velejar é isso: calcular a resultante do vento com seu trajeto ideal, e ajustar as velas, buscando a melhor solução.

Estrela Náutica -
Do windsurfe você foi para o barco?

Moraes - Isso. Na década de 1990, trabalhava na Embratel, fui transferido para Vitória (ES) e comprei um O´day 16 com a ideia de velejar nos fins de semana. Na época, eu não tinha reboque e o barco ficava no jardim de casa. Acabou por se
transformar na casinha de boneca das minhas filhas, ou seja, ele criou
raízes...

Estrela Náutica - Mas você retomou a navegação mais tarde aqui em São Paulo, não foi?

Moraes - Em 2000, vim para São Paulo como diretor de operações. Comecei a frequentar a Represa do Guarapiranga e não resisti: acabei comprando um Atol 23 (Ibitu). Só que ele ficava em Ubatuba. Aí, passamos a ir todos os fins de semana para lá.

Estrela Náutica - Nessa época, toda a família já estava envolvida com as velas? Inclusive suas
filhas, Gabriela e Ana Carolina?

Moraes - Sim, resolvemos explorar a região, indo de Ubatuba até Prumirim, ao Norte, e até Ilhabela, ao Sul. Foram três anos de muitas viagens e passeios, até que chegamos à conclusão que precisávamos de um veleiro maior. Dizem que não somos nós que escolhemos o barco e sim o barco que nos escolhe e eu acredito nisso. Em 2005, compramos o Nimbus, um Velamar 32. O barco não era tão veloz quanto o Ibitu, mas era robusto, espaçoso, tinha o pé direito alto, mesmo assim eu continuava a dizer que a casa era pequena, mas o quintal, imenso!

Estrela Náutica - Foi nessa época que começaram os problemas de saúde?

Moraes - Os problemas começaram um pouco antes. Mas foi nessa época que descobri que não sabia nada de nada. Entrei para a Associação Brasileira dos Velejadores de Cruzeiro (ABVC) e, na primeira palestra, em 2006, conversei com um senhor dos seus 75 anos. Ele me disse algo que jamais esqueci. Perguntei se ele conhecia algum dispositivo que substituísse a biruta, no topo do mastro, pois o meu pescoço estava cada vez mais duro — troquei quatro dos sete discos da cervical e com isso minha dificuldade de olhar para cima era cada vez maior. Ele me olhou, condescende, e disse: “cuspa”. Eu devo ter feito uma cara muito estranha, pois ele logo complementou: "se você cuspir e se molhar é porque está contra o vento. Se você não se molhar, está a favor. Você não precisa de biruta e, sim, de cuspe!" Foi uma lição de simplicidade. 



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