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Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê Fonte: Divulgação
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Superando os limites, Pauê fez da tragédia uma lição de vida

24/01/2013 -

Por Christiane Alves

Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, viu sua vida tomar outro rumo aos 18 anos. No dia 8 de junho do ano de 2000, a caminho da academia, o jovem sofreu um grave acidente:  foi atropelado por um trem quando atravessava uma linha férrea desativada em São Vicente, litoral paulista, e perdeu parte das pernas.

Após dois meses internado e mais 30 dias em processo de reabilitação, Pauê estava pronto para começar a escrever um novo capítulo em sua história, que começaria em cima de uma prancha. 

Surfista desde os 11 anos, o jovem recorreu à fisioterapia, natação, musculação e, após três meses de muita persistência, não só voltou a andar com auxílio das próteses, como também a surfar, tornando-se o primeiro e único surfista biamputado do mundo. Algum tempo depois, Pauê iniciou no triátlon (natação, ciclismo e corrida) e em 2002 tornou-se campeão mundial, categoria biamputado, numa disputa realizada em Cancún, no México. Em 2007, ele foi tetracampeão do Internacional de triátlon.

 “O fato de eu poder acordar na praia é sensacional. Sinto a presença de Deus, posso refrescar a mente e praticar a canoagem e o surfe que são duas coisas que adoro”, comentou o multiatleta.

Confira a entrevista.

Estrela Náutica - Conte-nos um pouco de sua história.

Pauê - Nasci em Santos e tenho 30 anos. Graduei-me em fisioterapia no final do ano de 2008. Minha vida sempre foi ligada ao esporte. Meus pais, desde pequeno, me incentivaram bastante. O surf foi um grande molde da minha adolescência. Através dele, configurei meu estilo de vestir, comunicar e mesmo o cotidiano. Ele também foi muito importante após um momento de grande mudança que vivi no ano de 2000 quando sofri o acidente. Já pratiquei várias modalidades. Competi triátlon durante sete anos – 2002 a 2008 – obtendo alguns títulos: Campeão Mundial de Triátlon, Pentacampeão Brasileiro de Triátlon, Bronze no Pan-americano de Triátlon, entre outros. E atualmente, meu dia-a-dia é preenchido com treinos na Canoagem Oceânica e palestras que realizo em empresas pelo Brasil.

Estrela Náutica - Qual sua visão da vida antes e depois do acidente?

Pauê - Acredito que no aspecto de mudança, o que mudou foi o fato de ter perdido parte das pernas. O trauma do baque (acidente) e a superação.  Sem dúvida, amadureci muitos anos e, rápido. Uma escolha de vida movida por um grande desafio da vida.

Estrela Náutica - Qual foi sua reação ao saber que tinha perdido parte das pernas?

Pauê - Não tive pânico. Apenas senti medo, mas não me desesperei. Acredito que o fato de estar vivo diante de um grave acidente mobilizou meu jeito de ser. Olhei da seguinte forma: ESTOU VIVO!

Estrela Náutica - Surfando desde pequeno, qual foi a sensação de ficar pela primeira vez sobre a prancha após o acidente?

Pauê - Sensação de liberdade, de capacidade e superação plena. Muita gente não sabe o quanto o surfe foi importante na minha reabilitação. Ele serviu como estímulo, ainda que voltar a surfar, de uma forma metafórica, era voltar para a vida. Era uma das maiores paixões que eu tinha aos 18 anos, quando tudo aconteceu. Inicialmente, tentei com as próteses, mas foi sem elas que encontrei minha adaptação.

Estrela Náutica - Quando você voltou a surfar, o que foi mais difícil ao longo da adaptação?

Pauê - Foi entender que dali para frente nunca mais teria o movimento dos tornozelos. E, são justamente os pés que impulsionam a prancha na parede da onda. Tive que encontrar novamente meu ponto de equilíbrio, testando outras maneiras e, até que o encontrei surfando de joelhos. Na verdade, a aceitação foi a minha maior adaptação.

Estrela Náutica - Por conta do acidente, acha que teria chance de ter enveredado para outro caminho sem ser do esporte?

Pauê - De maneira alguma. Minha maior vontade foi voltar a viver e o esporte foi, sem dúvida, um catalisador nesse processo. Acelerou tudo e me trouxe de volta de uma forma triunfal.

Estrela Náutica - Você ainda tem tempo para participar das competições em “alto mar”?

Pauê - Sim. Mas, agora de outra forma. Em um caiaque do tipo surf ski, tenho me aventurado bastante em travessias longas (endurance). Fiz em 2012 a Volta da Ilha de Santo Amaro, Guarujá. Foram 77 km em 10h45min. Nesse ano de 2013, pretendo vir do Rio de Janeiro à Santos (Projeto Superágua - incentivado pelo Ministério da Cultura e Esporte).

Estrela Náutica - Atualmente, você treina, compete, faz palestra em empresas, escreve suas publicações e produz vídeos. Sendo assim, o que gosta de fazer em seu tempo livre?

Pauê - Nos tempos livres, estou com minha mulher e família. Gosto bastante de viajar, conhecer outras culturas e descobrir novas óticas da vida. Isso me inspira bastante e, sempre que posso, tiro um tempo para isso. Mas não esquecendo, que são justamente nos momentos de pausa, que gosto de escrever meus novos projetos. É quando consigo me concentrar para poder colocar no papel.

Estrela Náutica - Já passou por sua cabeça ser um para-atleta olímpico? Que modalidade disputaria?

Pauê - Sim, cheguei a competir o circuito paralímpico na natação e no ciclismo. O triátlon, na época não integrava as modalidades paralímpicas. Na época que competi esses circuitos, estava muito envolvido com o triátlon e, fora os períodos longos de treino, as competições muitas vezes, me inviabilizavam treinar especificamente para outras modalidades. O triátlon é um esporte de resistência, enquanto que as modalidades paralímpicas citadas acima são de explosão. Mas, esse sonho ainda não está descartado. Rio de Janeiro vem aí... quem sabe, na canoagem... (risos)

Estrela Náutica - Qual foi a maior ‘onda’ da sua vida?

Pauê - A maior onda foi encontrar o meu equilíbrio. Sentir que minha vida teria uma missão e um motivo mais que especial, sem parte das pernas. E isso eu tive num registro memorável ao receber um prêmio de Educação do Jornal O Globo, em pleno Copacabana Palace, referente à todo meu trabalho com esporte e palestras que eu vinha realizando no ano de 2006. Ali, ao descer do palco, tive a certeza que estava no caminho certo.

Estrela Náutica - Qual sua melhor lembrança em cima da prancha?

Pauê - Dois Momentos: com pernas, surfando somente com amigos num mar de gala na Porta do Sol, em São Vicente, e sem as pernas, conseguindo efetuar minha primeira onda com três manobras de impacto, fortes e precisas. Vi que tinha conseguido encontrar meu jeito novo de surfar. Isso foi em Portugal, em Peniche.

Estrela Náutica - O acidente foi um divisor de águas para você? Em que sentido?

Pauê - Sim, me mostrou que muitas vezes os desafios surgem e é preciso estar receptivo ao mundo para tomar atitudes conscientes. Eu olho hoje pra trás e não sinto saudades de ter as pernas. Sinto saudades da minha infância e adolescência, mas não por ter sido diferente da maneira que vivo hoje. Esse tipo de comportamento é explicado pela SUPERAÇÃO. Quando entendemos um fato e conseguimos aceitar ele, a superação torna-se uma consequência. Por incrível que pareça, não trocaria minha vida de hoje pela de antes. Pelo susto que foi e a mudança radical de vida, o acidente é o antes. É assim que tudo é. São partes distintas, porém especiais da mesma forma em minha vida.

Estrela Náutica - Muitos desistem após este tipo de trauma, pois acham que não podem fazer coisas que antes lhe davam extremo prazer. Qual é o seu recado para essas pessoas?

Pauê - As pessoas precisam aprender a olhar o mundo por outras perspectivas. Existem diferentes formas de entender a vida. A grande dificuldade é quando acontece algo que está fora dos nossos planos. O medo e a ansiedade tomam conta e justamente nessa hora, que a confiança pode ficar abalada. Não podemos viver tristes, pois tudo é um estado de espírito. Devemos sempre buscar o lado bom e positivo da vida. São através dessas provações que conseguimos maturação, e assim, maior valorização perante o que vivemos. Quando passamos a ter consciência disso, tudo torna-se mais leve e fácil de superar. Meu recado, para as pessoas, é que sempre lutem, busquem pelos seus sonhos, pelos objetivos e sejam fiéis aos pensamentos e desejos. Viva a vida de uma forma sutil, seja calculista, mas não deixe de se emocionar. Aproveite cada momento presente, e nunca espere por milagres. Faça acontecer, pois está em nossas mãos a mudança para um mundo melhor.

 


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